sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O Imaginário Católico e as Mudanças do Meio

Os preceitos católicos, suas festas e sua ética deram o ritmo e o tom da vida quotidiana no Brasil colonial e imperial. Não havia engenho sem capela própria e capelão particular. A educação foi durante longo tempo monopólio dos jesuítas. Até mesmo o nascimento de uma cidade, em geral, fazia-se a partir da construção de uma capela e da adoção de um santo padroeiro, de quem geralmente a cidade recebia o nome. Todavia, o que é mais fundamental para o argumento que aqui se desenvolve diz respeito ao lugar central da religião na vida social brasileira que, durante os períodos colonial e imperial, desenrolava se no espaço da igreja. À sombra da cruz, criava-se a solidariedade comunal. O Brasil se construía. A igreja era o espaço dos mexericos e da difusão de notícias. Era durante a missa, ou após, nas sacristias, que as “carolas” faziam a crônica dos eventos quotidianos: casamentos, falecimentos, traições que os patriarcas conversavam sobre os últimos eventos políticos ou as colheitas e faziam sua conspirações.


Nos estudos de Silva (2006), desejo, necessidade, carência, emoções, sentimento, prazer e dor. Essas são as forças que comandam o ser humano, estabelecendo paradigmas de uma identidade religiosa. Elas originaram todas as criações humanas. Não importa o quão importantes ou insignificantes tenham sido essas realizações. Que necessidades e sentimentos deram origem às religiões? Várias emoções Deram origem às crenças religiosas. Sem dúvida, o medo foi à emoção que mais provocou esses sentimentos no homem primitivo ao homem contemporâneo.

O autor traz a reflexão que: o medo extraído do individuo deram origem às religiões e dentro dessa visão, a religiosidade ficou mais forte, o medo transformou-se em pecado, em dívida, em dúvida, em culpa ou até mesmo na incerteza, se somos ou não culpados por sermos ligados a determinados hábitos ou costumes.

Estes costumes caracterizam uma aproximação da vida social dos indivíduos nas relações com a sua religiosidade, assim nos apresenta Sérgio Buarque de Holanda no Livro Raízes do Brasil, onde a relação com o Santo de devoção se torna intima e materializam a “confiança” devotada a eles:

Nosso Velho Catolicismo, tão característico, que permite tratar os Santos com uma Intimidade quase que desrespeitada [...] de uma Santa Tereza de Lisieux – Santa Terezinha – Resulta do caráter Intimista que pode adquirir seu culto, culto amável e quase fraterno, que se acomoda mal as cerimônias e suprime s distâncias. (HOLANDA, 1995, p.149).

O Autor apresenta de forma clara, quando ele trata do homem cordial a sua concepção quanto a devoção, baseada em princípios do cotidiano, quando uma santa francesa que morrera jovem e muito distante deste ou daquele indivíduo torna-se a “Terezinha”, que pode ser a sua “Comadre”, “Madrinha” ou até mesmo “Mãezinha”, onde até mesmo a figura de Deus torna-se algo muito próximo do cotidiano:

Todos os Fidalgos e Plebeus querem estar em intimidade com as Sagradas Criaturas e o Próprio Deus é um amigo familiar, doméstico e próximo – o oposto ao “Deus Palaciano”. (HOLANDA, 1995, p.149).

Para tanto, reservavam tempo para as festas. Para saudar, agradecer, pedir proteção, revigorar a crença no “seu santo”. Daí o caráter festivo do catecismo popular. As festas dos santos padroeiros eram ajustadas ao ciclo litúrgico e ao mesmo tempo, ao ciclo da vida natural. Durante o século XIX o catolicismo popular desloca-se, gradativamente, para os centros urbanos, que anteriormente era um fenômeno rural, sem apresentar modificações em suas características básicas.

Bibliografia:

HOLANDA

TORRES, João Camilo de Oliveira. História das Idéias Religiosas no Brasil. São Paulo. Grijaldo, 1968.
, S. B. de. Raízes do Brasil. 26.ed. São Paulo: Cia. das Letras, 1995. (Obra publicada em 1936)

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