quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Sociedade Aristocrática século XIX



Na dinâmica social do ciclo cafeeiro os grandes Barões, produtores de café, formavam uma cúpula. Figuravam a seguir os demais cafeicultores, proprietários ou cultivadores em terra alheia, meeiros; negociantes de cidade; profissões liberais, funcionários e outros. Tinham-se também aqueles que exerciam ofícios autônomos, como Jornaleiros, Padeiros, Carteiros e artesãos.


O Interessante nesta sociedade é destacar a figura do Tipógrafo que diferentemente dos séculos anteriores oferece a informação de diversos fatos corriqueiros ocorridos na sociedade. Temos a o desenvolvimento da ágil comunicação dentre as diferentes camadas sociais, pois, o jornal (principal instrumento de informação) leva ao conhecimento de todos as notícias tornando-se significativo agente alienador das classes mais baixas pela Elite:

A Classe dirigente, no aparelhamento monárquico, cafeicultores ou representantes dos interêsses (sic) da lavoura cafeeira, privatizavam o poder o Estado, dando como resultante, que, governar para os homens do café nem sempre, ou quase nunca, seria consultar as necessidades coletivas, mas as do sistema de vida da sociedade escravocrata. (SOBRINHO, 1971: p.82)

Analisando o cotidiano, na singularidade desta sociedade ressaltamos o ato de freqüentar as Missas ou outra forma de culto religioso que era visto como compromisso social. A mentalidade ligada à sexualidade, por exemplo, era uma temática censurada entre crianças e mulheres, pois, tratar de romantismo era considerado gesto pecaminoso. Muitas literaturas, como O Primo Basílio, A Moreninha entre outros eram textos mal vistos pelos costumes sociais. Diferentemente dos dias atuais, lidar com a morte era um rito de Festa, onde o próprio moribundo preparava seus funerais. As Famílias tradicionais seguiam os parâmetros sociais espelhados nos costumes europeus, desde a culta linguagem até o velho costume do “Chá das cinco”. Os Senhores do Café e seus filhos doutores, reuniam-se em estabelecimentos comerciais para discutirem temas como a política, ideais abolicionistas e monarquistas, dentre outros assuntos ligados à dinâmica sócio-econômica da sociedade.

A organização da sociedade cafeeira ocorreu de forma a conferir sentido a todo o conjunto: a coerência com a produção capitalista. Na área de produção, havia o entrosamento da agricultura intensiva, técnicas rudimentares, trabalho escravo, tudo ajustado para produzir e atender o consumo definido pela Europa e Estado Unidos. (TOLEDO, 2008: p. 134)

O conservadorismo aristocrático do meio rural passou a caracterizar os cafeicultores do Vale do Paraíba. O êxito de sua produção dependia do ajustamento da dinâmica dos mercados consumidores e a preservação de seu estilo de vida, ou seu próprio ser:

[...] a figura do homem de origem tosca, que logrou enriquecer, conservando, no novo tipo de civilização que se integrou com sucesso, o gosto e as atitudes fundamentais em seu passado. [...] conservador em seu ambiente, também o foi em suas maneiras. (FRANCO, 1969: p. 204)

Historicamente, dois grandes acontecimentos explicitaram e pontuaram o conservadorismo dos cafeicultores no Vale do Paraíba: o movimento liberal de 1842 e o convênio do café em Taubaté, em 1906.

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