terça-feira, 17 de agosto de 2010

A Consciência da Igreja no Brasil: A origem do padroado

A percepção da Igreja é profundamente influenciada pelo contexto histórico na qual ela testemunha a mensagem litúrgica, a proclamação dos dogmas e a centralização devocional. Nem sempre as circunstâncias facilitam uma visão clara dos caminhos a seguir. A tendência à inércia é abalada, às vezes, por vozes “proféticas” que proclamam um retorno às origens.

Na formação cultural do Brasil, observamos um contexto de perda da identidade, causada pela implantação de modelos europeus de racionalidade e revolucionários em diferentes segmentos, fazendo a religião torna-se também “vazia”. O padroado esgotara de tal forma sua função episcopal, que os bispos não chegavam a constituir um centro de unidade. O papel exercido antes pelos Jesuítas cuja rede de colégios cobria os pontos mais importantes do litoral, não foi assumido por ninguém. Segundo BEOZZO (1992), o relacionamento dos fiéis com os pastores reduzia-se a ocasiões especiais, geralmente no tumulto das grandes festas. Pode-se dizer que a Igreja era no Brasil uma organização de leigos.

Dificuldades práticas de administração eclesiásticas, principalmente as decorrentes das distâncias e deficiências da rêde [sic] de comunicações, conduziram à criação do sistema do Padroado, reflexo, na área eclesiástica do mesmo fenômeno de rarefação da autoridade que produziu o feudalismo. (TORRES, 1968:30)

Não eram somente as paróquias que constituíam o núcleo da prática religiosa organizada, mas também as irmandades e as ordens terceiras.Referências
 
WERNET, Augustin. A Igreja na História de São Paulo no século XIX. São Paulo: Ática, 1987.
 

No que se diz referente a estes núcleos paroquiais, a Revolução Ultramontana do século XIX, nos bastidores da Igreja Vaticana acentuam este caráter de laicato fomentando a prática de pequenos rituais que vão além dos “tentáculos” da Santa Madre Igreja.

A religião no Brasil era doméstica e privatizada, nunca institucional, diferenciando-se dos moldes oficiais, com isso as famílias tornam-se grande expressão de religiosidade, constituindo-se em um ambiente onde aprendiam-se as orações e os comportamentos religiosos.

As relações estabelecidas entre Igreja e Estado no Brasil Imperial tornaram-se delicadas diante dos movimentos de racionalidade do século XIX. O que até então caracterizava um contrato de relações na qual toda e qualquer decisão relacionada à estruturação, rito e devoção partia da iniciativa do imperador, ao contrário do papel petrino do pontífice.


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