sexta-feira, 29 de julho de 2016

A Igreja e a Monarquia no Brasil do Século XIX: Padroado e Devoção


Artigo publicado no A12 Artigos, do Historiador e Professor, Prof. Cristiano Luiz da Costa e Silva, vice-presidente e fundador do Instituto de Pesquisa Histórica e Ambiental Regional (IPHAR), o texto fala sobre a Igreja e Monarquia no século XIX, focando o Padroado.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Identidade sustentável: espacialidade, identidade e memória nos estudos sobre comunidades quilombolas

Artigo de minha autoria com o Prof. Cristiano Luiz da Costa e Silva, publicado na Revista Eletrônica dos Discentes do Mestrado em História da UFRN, Volume 8, 2015.

VOLUME 8: ESPAÇOS DA CULTURA E REPRESENTAÇÕES DO ESPAÇO: ENTRE O SIMBÓLICO E O CONCRETO



REVISTA NA ÍNTEGRA


sábado, 18 de julho de 2015

Congada de Santa Efigênia - Ouro Preto/MG



Vídeo elaborado por Marcos Aurélio Moreira, Ludmila Pena Fuzzi e Cristiano Luiz da Silva, em Setembro de 2010. Imagens raras da congada em frente a Igreja Santa Efigênia em Ouro Preto/MG.

domingo, 19 de abril de 2015

A Construção Social da Cor - José D'Assunção Barros



Realizando meus estudos acerca dos Negros na História do Brasil, muitas obras realizam uma reflexão muito empolgante e profunda do próprio entendimento que os Negros se veem como seres Humanos e como estes, após a escravidão se observam como seres ativos na sociedade, o que podemos trazer aqui o que a Historiadora Maria de Gó, em seu livro "Lutas Sociais" propõe, em que estes negros apresentam Consciência de Classe.

Abaixo apresentamos uma Resenha da obra "A Construção Social da Cor", de autoria do próprio José D'Assunção Barros. Publicado no XIII Encontro de História ANPUH, Rio de Janeiro, sobre Identidade, 2008. 


sábado, 1 de março de 2014

Singularidades de Quilombo: Um estudo do texto de Edson Carneiro



TEXTO DE ESTUDO 1 – SINGULARIDADES DOS QUILOMBOS, por Edson Carneiro

Profª Ludmila Pena Fuzzi

O recurso mais utilizado pelos negros escravos, no Brasil, para escapar dos cativeiros foi sem dúvida o da fuga para o mato, de que resultaram os quilombos, ajuntamentos de escravos fugidos.
CARNEIRO (2011) nos coloca que infelizmente não dispomos de documentos fidedignos, minuciosos e circunstanciados a respeito de muitos dos quilombos que chegaram a existir no país; os nomes de vários chefes de quilombos estão completamente perdidos; e os antigos cronistas limitaram-se a exaltar as fadigas da tropa e a contar, sem detalhes, o desbarato final dos quilombolas. Na região do Vale do Paraíba Paulista a dificuldade em se ter material documental ainda maior. Um dos pontos do projeto é exatamente coletar informações nos Arquivos da região, criando gráficos dos resultados encontrados.
Em verdade, se desprezarmos o episódio em favor do quadro geral, observaremos que, embora ocorridos em diversos pontos de território nacional, e em épocas diferentes, os quilombos apresentam uma fisionomia comum, tanto nos motivos que impeliram os negros para o recesso das matas como na organização social e econômica resultante da vida em liberdade.
O movimento de fuga era, em si mesmo, uma negação da sociedade oficial, que oprimia os negros escravos, eliminando a sua língua, a sua religião, os seus estilos de vida. O quilombo, por sua vez, era uma reafirmação da cultura africana e do estilo de vida africanos. O tipo de organização social criado pelos quilombolas estava tão próximo do tipo de organização então dominante nos Estados africanos que, ainda que não houvesse outras razões, se pode dizer, com certa dose de segurança, que os negros por ele responsáveis eram em grande parte recém-vindos da África, e não negros crioulos, nascidos e criados no Brasil. Os quilombos, desde modo, foram para usar a expressão agora corrente em etnologia, um fenômeno contra aculturativo, de rebeldia contra os padrões de vida impostos pela sociedade oficial e de restauração dos valores antigos.
Duas coisas se notam, à primeira vista, no estudo dos quilombos, todos esses ajuntamentos de escravos tiveram, como causa imediata, uma situação de angústia econômica local, de que resultava certo afrouxamento na disciplina da escravidão, e todos se verificaram os períodos de maior intensidade do tráfico de negros, variando a sua localização de acordo com as flutuações de interesse nacional pela exploração desta ou daquela região econômica.
Com efeito, o simples ”rigor do cativeiro”, que sempre se fez sentir pesadamente sobre o escravo, não basta para justificar a sua fuga, a princípio em pequenos grupos, depois em massa, para as matas vizinhas. Nem chega para explicar a segurança com que os negros já aquilombados visitavam frequentemente as vilas de onde tinham fugido, a fim de comerciar, de comprar artigos manufaturados e de induzir outros escravos a seguir o seu exemplo, tomando o caminho da selva. O quilombo foi essencialmente um movimento coletivo, de massa. Poder-se-ia explicar, apenas pelo “rigor do cativeiro”, o grande movimento de fuga de escravos das fazendas paulistas, nos últimos anos da escravidão?
O quilombo, que não passava de um pequeno habitáculo de negros fugidos, cresceu extraordinariamente, pois com os conflitos, com as crises econômicas e outros problemas na estrutura do século XVIII e XIX, a vigilância dos senhores se tornou dificultada, oportunizando as fugas. As problemáticas aumentaram o número de Quilombos pelo. Esses tiveram, pois, um momento determinado o desejo de fuga era certamente geral, mas o estímulo à fuga vinha do relaxamento da vigilância dos senhores, causado, este, pela decadência econômica. E, por outro lado, os quilombos se produziram nas regiões de maior concentração de escravos, de preferência durante as épocas de maior intensidade de tráfico negreiro.
Quanto aos negros crioulos, utilizaram outras maneiras de fugir ao “rigor do cativeiro”, passaram à luta aberta, como na Balaiada, justificaram os senhores, como nas fazendas fluminenses, ou buscaram a liberdade nas cidades.
Os quilombolas viviam e paz, numa espécie de fraternidade racial. Havia, nos quilombos, uma população heterogênea, de que participavam em maioria os negros, mas que contava também mulatos e índios. As pesquisas demonstram que os negros chegaram a estabelecer comércio regular com os brancos das vilas próximas, trocando produtos agrícolas por artigos manufaturados.
Os quilombos situavem-se geralmente em zonas férteis, próprias para o cultivo de muitas espécies vegetais e ricas em animais de caça e pesca. A utilização da terra, ao que tudo indica, tinha limites definidos, podendo-se afirmar que, embora a propriedade fosse comum a regra era a pequena propriedade em torno dos vários mocambos ou, como escreveu Duvitiliano Ramos, a “posse útil” da terra. Era o mesmo sistema da África. Entre os nagôs como entre os bantos, pelo que ensinam Dary Forde e J.W.Page, a terra pertence aos habitantes da aldeia e só temporariamente o indivíduo detém a posse da terra que cultivou. Os quilombolas, individualmente, tinham apenas as extensão de terra que podiam, na realidade, cultivar.

A agricultura beneficiava-se, por um lado, da fertilidade da natureza e, por outro, do sistema de divisão de terras. Era universal, nos quilombos, a criação de galinhas, algumas vezes acompanhada da criação de porcos e outros animais domésticos, tendo também a prática de caça e pesca, para complementação da dieta quilombola.
Os trabalhadores, aparentemente, dividiam-se por duas categorias principais, lavradores e artesãos. Os escravos procedentes das fazendas certamente se enquadravam no primeiro grupo e teriam sido responsáveis diretos pela policultura. Os artesãos notáveis eram: ferreiros. Os documentos antigos não indicam exatamente a atividade econômica a que se entregavam as mulheres, mas provavelmente fabricavam roupas com cascas de árvores e peles de animais e produziam cestos, abanos e trançados em geral. Elas também ajudavam os oleiros na fabricação de potes e vasilhas de todos os tipos encontrados nos quilombos.
As vilas vizinhas, entregues à monocultura ou sujeitas à precariedade da lavoura de mantimentos, socorriam-se dessa atividade polimorfa dos negros aquilombados. Os frutos da terra, os animais de caça e pesca, a cerâmica e a cestaria dos negros trocavam-se por ferramentas industriais e agrícolas, roupas, armas de fogo e outros produtos de manufatura. Esse comércio direto, reciprocamente benéfico, realizava-se habitualmente em paz. Somente às vezes os quilombolas recorriam às armas contra os moradores brancos, quando estes os roubavam além dos limites da tolerância ou quando avançavam demais com as suas terras sobre a área do quilombo.
A simples existência dos quilombos constituía “um mau exemplo” para os escravos das vizinhanças. E, em geral, estava tão relaxada a vigilância dos senhores que estes não tinham maneira de impedir a fuga dos seus escravos, senão tentando a destruição, pelas armas, dos quilombos. Os negros já aquilombados eram incansáveis no recrutamento de parentes, amigos e conhecidos.
A organização política se baseava na formação de poder de tribos africanas. A população miúda aos poucos deu nascimento a uma oligarquia, constituída pelos chefes de mocambo, a quem cabia, como na África, a atribuição de dispor das terras comuns. A pequena duração dos quilombos eram em geral não permitiu o processo de institucionalização chegasse ao seu termo lógico. Cada mocambo tinha um líder, que eram o ancião da comunidade e por fim o Quilombo um Zumbi (rei), seguido de seus guerreiros e trabalhadores.
Por fim, podemos considerar que o Quilombo foi um acontecimento singular na vida nacional, seja qual for o ângulo por que o encaremos. Como forma de luta contra a escravidão, como estabelecimento humano, como organização social, como reafirmação dos valores das culturas africanas, sob todos estes aspectos o quilombo revela-se como um fato novo, único, peculiar, uma síntese dialética. Movimento contra o estilo de vida que os brancos lhe queriam impor, o quilombo mantinha a sua independência à custa das lavouras que os ex-escravos haviam aprendido com os seus senhores e a defendia, quando necessário, com as armas de fogo dos brancos e os arcos e flechas dos índios. E, embora em geral contra a sociedade que oprimira os seus componentes, o quilombo aceitava muito dessa sociedade e foi, sem dúvida, um passo importante para a nacionalização da massa escrava.
Do ponto de vista aqui considerado, se, por um lado os negros tiveram de se adaptar às novas condições ambientes, por outro lado o quilombo constituiu, certamente, uma lição de aproveitamento da terra, tanto pela pequena propriedade como pela policultura, ambas desconhecidas da sociedade oficial. Não foi esta, entretanto, a sua única utilidade. O movimento de fuga deve ter contribuído para abrandar o “rigor do cativeiro”, mas o quilombo principalmente serviu aos desbravamento das florestas além da zona de penetração dos brancos e à descoberta de novas fontes de riqueza.


domingo, 8 de dezembro de 2013

A sociedade brasileira contemporânea e seus dilemas: identidade e alteridade

A sociedade brasileira contemporânea e seus dilemas: identidade e alteridade

            Profª Ludmila Pena Fuzzi

            Refletir sobre as referências identitárias remete imediatamente ao conflito étnico e a questão das diferenças que o tema da diversidade cultural impõe. Assim, embora a marca do humano, ou melhor, da cultura humana, seja exatamente a diferença dos gêneros, dos sexos, das religiões, das etnias, das identidades e dos direitos, paradoxalmente temos que lutar politicamente para que essas diferenças sejam respeitadas no cotidiano e incluídas no debate político e acadêmico.

            Os discursos das grandes civilizações historicamente têm se pautado pela postura etnocêntrica, ou seja, nós e os outros. Em nome de uma “civilização” e de uma “cultura superior,” o outro, ou seja, aquele que é diferente tem sido qualificado e tratado como bárbaro, fraco, inferior, incapaz, impotente, desprezível etc. Foi precisamente para compreender e explicar esse paradoxo da cultura humana que no século XIX, por ocasião da globalização moderna decorrente do processo de colonização europeu iniciado por volta do século XV, que surgiu a Antropologia, ciência social cujo objeto de estudo é exatamente a cultura humana e o seu inseparável, porque intrínseco a ela, etnocentrismo. No percurso histórico do seu desenvolvimento enquanto ciência ao longo do século XIX, a antropologia tomou como objeto de estudo a relação de conhecimento entre o “Eu” e o “Outro”, calcada no princípio do respeito à alteridade, e construiu uma distinção em relação às outras ciências sociais, qual seja, um olhar fundado na perspectiva teórica do relativismo e na metodologia do trabalho de campo no estudo da cultura.

            Tomando dados empíricos, a despeito das mobilizações e declarações mundiais contra todo tipo de discriminação, verificamos que atitudes racistas e intolerantes em relação à diversidade não mudaram muito. No Brasil são 50 milhões de pessoas, ou seja, 29%, vivendo abaixo da linha da indigência. O que esses dados podem revelar em relação à questão política da diversidade étnico-cultural e das identidades? Tudo. Essa população mundial excluída é composta majoritariamente por pobres de etnias diversas que sofrem vários tipos de discriminação e preconceitos de ordem econômica, política, social, cultural, de gênero etc. Portanto, isso remete diretamente à questão da cidadania, dos direitos e da necessidade de políticas públicas de gestão desses conflitos na sociedade contemporânea.

            No mundo atual, as saídas históricas para estes conflitos foram perspectivas e políticas segregacionistas (África - apartheid), assimilacionistas (Brasil) e multiculturalistas (Canadá, Austrália e Suécia). Historicamente, das expansões imperiais à era colonial, o desenho até meados do século XX era o modelo das culturas hegemônicas versus culturas não hegemônicas, que levaram a dois modelos: a segregação e a assimilação.

            Vemos que, às realidades nacionais em que os conflitos étnicos e culturais já existem estruturalmente, acrescentam-se os movimentos maciços de populações que se deslocam no planeta. Assim, o impacto das migrações acirra os conflitos étnico-culturais gerando diásporas modernas (Hall, 2005) que exigem inclusão e discussão na pauta da política mundial. É importante destacar as conseqüências políticas drásticas da mundialização do capital, ligadas diretamente à construção das referências identitárias, a partir do conflito relacionado à diversidade étnico-racial. É preciso denunciar e refletir sobre a exclusão de grande contingente humano da participação democrática do direito de se expressar na própria língua, da educação, saúde, habitação, emprego e representação política.

            O multiculturalismo, via de regra, é apresentado como saída política correta e adequada para esses problemas. Entretanto, percebemos alguns problemas de ordem político-ideológica nesse discurso. Vejamos, multiculturalismo remete a duas questões de imediato, qual sejam, o fato de que a diversidade existe e de que é uma questão política. Assim, podemos abordar o conceito em termos de:

1- A abordagem demográfica (descritiva) - apresenta os vários segmentos étnicos;

2- A abordagem programática (política) - programas e iniciativas políticas para gerir a diversidade étnico-cultural;

3- A abordagem ideológica (normativa) - visa garantir o respeito mútuo baseado no princípio de que a riqueza do mundo reside no diálogo entre as diversidades.

4- A abordagem ideológica (crítica) - com a qual concordamos, aponta para o fato de que reconhecer as diferenças pela diferença, é extremamente perigoso por dois motivos: não permite a percepção histórica da origem da diferença e desloca a questão do conflito para o relativismo cultural.

            Partindo dessa premissa, percebemos como indício importante para a compreensão da sociedade brasileira, a identificação da violência simbólica e as diversas representações no imaginário social dos diversos tipos de discriminação: sexual, de gênero, racial, etc. Inclusive e principalmente as vividas e também as praticadas por todos nós. Partimos do pressuposto de que a atitude de identificar, discutir e reconhecer a contradição e o conflito constitutivo do humano aproxima afetivamente o pesquisador do seu objeto de estudo e possibilita o trabalho daquilo que nos afeta e pode permitir o reconhecimento do preconceito e discriminação, como primeiro passo para uma possível crítica e transformação, embora isso não seja garantia de mudança de atitude.

            No caso do Brasil, não podemos abordar o tema das referências identitárias sem discutir o racismo em relação aos negros. Não só a partir da perspectiva histórica, mas também no plano afetivo ou do imaginário, e nesse sentido, a Teoria da Psicanálise é extremamente importante, principalmente a concepção lacaniana dos registros no plano do real (que é diferente de realidade), do simbólico e do imaginário (Lacan, 1998). Cabe ressaltar que esses registros se expressam em planos de análise que só se separam para efeito didático. Nesta perspectiva, o racismo no Brasil pode ser enfocado a partir da dialética desses registros no plano de análise. No registro do real, impera a miscigenação étnica visível empiricamente. No registro da realidade, que é uma construção sócio-cultural elaborada a partir das fantasias que estruturam o real, podemos identificar a prevalência da negação do racismo e o desconforto disfarçado em relação à mestiçagem étnica entre negros, índios e brancos, na formação da sociedade brasileira.

            Dessa forma, no Brasil, a mistura aparece na cor, entretanto no registro do imaginário que ordena os sentimentos e estrutura o real, o que comanda é a justaposição, a hierarquia que reforça o racismo, ou seja, lá na fantasia, o que comanda os desejos em relação ao sentimento racista, é a justaposição. Não há mistura, os preconceitos estão presentes e arraigados. No plano do simbólico, lugar da representação das fantasias, a justaposição hierárquica e autoritária aparece camuflada na aparência de mistura nas diversas formas de expressão estética e artística da realidade brasileira, ou seja, na literatura, na poesia, no cinema, na música, na pintura, na escultura e nas diversas mídias.

            Diante do exposto, podemos inferir que, se a teoria da circularidade de Bakthin (1987) e Ginzbrug (1987), destaca o processo pelo qual as idéias de culturas distintas circulam e se interpenetram de forma dialética, é preciso destacar também que no Brasil, por exemplo, esse processo de influência múltipla entre a cultura hegemônica e não hegemônica, provoca como efeito a justaposição hierárquica e autoritária das idéias/sentimentos no plano do imaginário social (Berlinck, 2000).

            A identidade é uma construção social e cultural, portanto histórica. E nesse sentido, é ingenuidade ou cinismo sustentar qualquer tipo de neutralidade político afetiva. Daí nossa crítica à postura alicerçada numa neutralidade científica ou fundada no relativismo cultural, que ainda tem pautado a atitude dos antropólogos contemporâneos, marcada pela ausência de uma intervenção ética ou política face aos conflitos advindos do contato com a diversidade cultural, em nome de uma postura de tudo relativizar.

Referências Bibliográficas

BAKHTIN, M. A cultura popular na Idade Média. São Paulo: Hicitec, 1987.

BERLINCK, Manoel Tosta. Psicopatologia fundamental. São Paulo: Escuta, 2002.

DA MATTA, Roberto. Carnavais, Malandros e Heróis: para uma sociologia do Dilema Brasileiro, 6ª Edição, Rocco, Rio de Janeiro, 1997.

___________________. Relativizando: uma introdução à antropologia social.
Petrópolis: Vozes, 1981.

GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Cia das Letras, 1989.

HALL, Stuart. Identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

LACAN, Jaques. O Seminário Livro 11 - os quatro conceitos fundamentais da

psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

domingo, 7 de julho de 2013

Os Negros na Revolução Constitucionalista de 1932 - Uma Reflexão



Dentro do cenário já conhecido da Revolução Constitucionalista de 1932, os negros não aderiram tanto ao movimento, pois muitos eram vanguardistas e operários, classes que davam grande apoio político a Getúlio Vargas, e um dos pontos do movimento era contra este governo.
            A Historiografia Brasileira mais antiga não oferece um respaldo acadêmico sobre os movimentos negros pós abolição, o que tem alterado entre os novos pesquisadores. Dentro desta temática proposta temos alguns pontos que demonstram que mesmo que os negros representaram 1/3 dos soldados paulistas, estes foram muito importante dentro do processo. Vamos focar agora nossa atenção para a chamada Legião Negra, fundada por Joaquim Guaraná de Santana.

            Como se conhece a participação dos negros na República Brasileira foi uma conquista processual, e no contexto da década de 30 temos a Frente Brasileira Negra. Trata-se de um movimento paulista, que defendiam as coisas dos negros em diferentes temáticas, principalmente as sociais e políticas. Porém, como já explicitado, a maioria dos membros da FBN, eram vanguardistas e operários, dando apoio a Getúlio Vargas. O presidente era um grande defensor dos direitos trabalhistas, sendo autor da CLT, por isso o maior movimento não ofereceu apoio a Joaquim Guaraná de Santana, quando este foi solicitar ajuda.
Joaquim Guaraná de Santana era membro da FBN, porém rompe com esta e funda da Legião Negra, conhecida também como Pérola Negra. Dentro da metodologia de organização de batalhões, os soldados nomeavam seus grupos e a Legião Negra denominou seus grupos com nomes de homens negros e mestiços importantes da História do Brasil, como Zumbi, Antônio Pereira Rebouças e Henrique Dias.
            O movimento Legião Negra se tornou um marco de grande importância para uma profunda reflexão dos negros no processo democrático, alguns jornais da época passaram a relatar fatos ligados ao movimento negro dentro da Revolução Constitucionalista de 1932, sendo o nosso foco o jornal A Gazeta, trazendo dois episódios, sendo o primeiro sobre uma reflexão da Legião Negra e o segundo ponto, de uma mulher negra que se vestiu de homem para participar da luta:
Os patriotas pretos estão se arregimentando - Já seguiram vários batalhões - O entusiasmo na Chácara Carvalho - Exercícios dia e noite - As mulheres de cor dedicam-se à grande causa. [...] Também os negros de todos os Estados, que vivem em São Paulo, quando o clarim vibrou chamando para a defesa da causa sagrada os brasileiros dignos, formaram logo na linha de frente das tropas constitucionalistas. A epopéia gloriosa de Henrique Dias vai ser revivida na luta contra a ditadura. Patriotas, fortes e confiantes na grandeza do ideal por que se batem São Paulo e Mato Grosso, os negros, sob a direção do Dr. Joaquim Guaraná Sant´Anna, tenente Arlindo, do Corpo de Bombeiro, tenente Ivo e outros, uniram-se, formando batalhões que, adestrados no manejo das armas e na disciplina vão levar, nas trincheiras extremas, desprendidos e leais, a sua bravura, conscientes de que se batem pela grandeza do Brasil que seus irmãos de raça, Rebouças, Patrocínio, Gama e outros muitos tanto dignificaram. Os nossos irmãos de cor, cujos ancestrais ajudaram a formar este Brasil grandioso, entrelaçando os pavilhões auri-verde e Paulista, garbosos, ao som dos hinos e marchas militares, seguem cheios de fé, ao nosso lado, ao lado de todos os brasileiros que levantaram alto a bandeira do ideal da constitucionalização, para a cruzada cívica, sagrada, da união de todos os Estados sob o lábaro sacrossanto da pátria estremecida. ( Jornal A Gazeta, 23 de Julho de 1932 – Os Homens de Cor e a Causa Sagrada do Brasil)

Antônio Gramisc, um teórico político, nos mostra que a sociedade é divida em blocos históricos e que estes agem de acordo com seus interesses e por isso a tendência é sempre classificarmos os grupos sociais por sua cultura e conflitos de interesses. Neste caso o “bloco histórico” dos Homens de cor vem utilizar o contexto da guerra na busca de sua legitimação como ser social dentro do cenário nacional, esta passa ser a verdadeira função da Legião Negra.
O Jornal, A Gazeta, de 05 de setembro de 1932, vem relatar o caso de Maria José Bezerra, cozinheira da família Penteado Mendonça. Alistou-se, fazendo-se passar por homem para poder lutar pela causa da constitucionalidade brasileira; exemplo maior de mulher voluntária no Movimento Constitucionalista de 32.  Coloca o jornal:
Uma mulher de cor, alistada na Legião Negra, vencendo toda a sorte de obstáculos e as durezas de uma viagem acidentada, uniu-se aos seus irmãos negros em pleno entrincheiramento na frente do sul, descrevendo a página mais profundamente comovedora, mais cheia de civismo, mais profundamente brasileira, da campanha constitucionalista, ao desafiar a morte nos combates encarniçados e mortíferos para o inimigo, MARIA DA LEGIÃO NEGRA! Mulher abnegada e nobre da sua raça (Trecho do jornal)

            Para terminar nossa reflexão sobre a participação do negro da revolução, não podemos deixar de explicitar que existem poucas obras sobre isso, considerando apenas a chamada A Legião Negra, a luta dos afro-brasileiros na Revolução Constitucionalista de 1932, de Oswaldo Faustino. Em depoimentos, muitas comunidades reclamam da falta de material da participação dos negros em muitos fatos históricos.